sexta-feira, 26 de junho de 2009

O Homem sem Qualidades - Tomo I

Custa-me a acreditar que o tempo que andei a ler "O Homem sem Qualidades - Tomo I" do Musil me tenha enchido a cabeça de nada. De modo que fui dar uma espreitadela ao livro e espremer algum conteúdo para aqui, para o meu bem, para ter a certeza que aquelas horas com 3 kilos de livro em cima do abdómen não tenham sido em vão.

Ora. Temos "Homem", temos "sem" e temos "Qualidades".

O Homem age, pensa e sente. Encontramos nesta obras três personagens extremamente inteligentes às quais lhes são dadas Qualidades, mas com parcimónia. Assim:

1.Arnheim
--> Realidade onde a sua qualidade se manifesta: Mundo Material
--> Défice Sentimental e de Abstracção

Este é o Homem que age. Pensa para agir, age em função do que pensa: o homem cujo pensamento é 100% aplicado. É Homem de Acção, com todas as implicações éticas e morais que daí advêm: certo versus errado, bem versus mal. Grande homem de negócios, rico, começou do nada para se tornar dono de um grande império económico nas mais variadas áreas. Os jornais admiram-no. Anda ali num impasse obtuso com Diotima porque a paixão não lhe parece motivo válido para agir. Não consegue compreender Ulrich porque este não se materializa em obra feita. Mas reconhece-lhe valor através das conversas que tem com ele. Teme-o de certa maneira pela sua imprevisibilidade. É o único dos três ao qual a sociedade mais aburguesada lhe reconhece mérito. Estranhamente, é alemão e não austríaco.

2.Ulrich
-->Realidade onde a sua qualidade se manifesta: Mundo da Abstracção
-->Défice Sentimental e Material

Este é o Homem que pensa. Ao contrário de Arnheim, Ulrich é o empirista que do mundo real extrapola e constrói novas realidades. Consegue racionalizar praticamente tudo num discurso envolto em hiper-lúcidez. Não toma partido, é diletante no que toca às áreas do saber. Propõe a abolição da realidade em termos teóricos, mas acaba perdendo-se nos meandros desta mesma. É um relâmpago, nunca se deixa apanhar mas dá fogo de vista quando quer nos círculos onde se move. Dá sempre a sensação de que não tem nada a perder - outros como Arnheim e Walter invejam-no por isso. É distante, indiferente e vive em estados puros internos, em ideias. Atira os dados ao destino e os outros vêem nisso tolice ou coragem. Lida com as paixões de uma forma física quase animal. Talvez porque os instintos não podem fazer parte de algo a que se possa chamar teoria ou equação. Já os valores ético/morais de Ulrich são bastante ambíguos e os seus limites esbatem-se para dar lugar a debate sobre até onde o ser humano pode ir, como no caso Moosbrugger.

3.Walter
-->Realidade onde a sua qualidade se manifesta: Mundo do Sentimento
-->Défice de Abstracção e de Matéria

Este é o Homem que sente. Era o melhor amigo de Ulrich e às vezes quer acreditar que ainda é - tem uma relação amor-ódio com ele. Não se cansa de tocar Wagner ao piano. Acha que a arte sublima a vida, mas os constantes coices que a vida lhe deu acabaram por transformá-lo numa pessoa tristonha. O casamento com a louca da Clarisse tornou-se um inferno. Ulrich provoca Walter, mas Ulrich não tem a percepção do quanto consegue magoá-lo. Toda a gente consegue magoar Walter. Walter já não toca o piano por lhe dar prazer, toca-o obsessivamente para calar a dor que tudo e todos lhe provocam. Se Walter conseguisse agir como Arnheim, pensando em função de algo concreto livrar-se-ia de Clarisse. E se Walter se abstraísse, por momentos, de tudo e visse uma tela limpa como Ulrich faz, onde depois se põe pintando cenários hipotéticos, Walter faria uma bela Sinfonia.

Tenho que mencionar o General Stumm que se põe a cartografar as ideias da Acção Paralela! um Mapa de ideias! Este General é mesmo engraçado.


e prontos. espremi alguma coisa... já me sinto melhor.
Conclusão:
1. São todos homens *sem qualidades suficientes* para... alguma coisa.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

europeias '09

O Vital Moreira parece um espantalho!, não consigo olhar para a televisão sem fazer um esforço enorme para não me sair um chorrilho de asneiras contra aquela figura. o Homem fala para dentro. não se ouve o que ele diz! alem disso parece um manequim poeirento de uma boutique de senhores dos anos 40 que ficou esquecido na montra durante décadas. Tire a laca do cabelo, não penteie o bigode! solte o seu lado selvagem! use StudioLine. Quem será o Consultor de Imagem do Vital? Você não fez um bom trabalho.

O Paulo Rangel surpreendeu pela positiva. Mas tenho um estranho ..qq coisa.. que ele é capaz de estar muito mais bem cotado no eleitorado feminino. Isto tem a ver com o facto de eu achar que ele seria o perfeito genro para muitas wannabe sogras. E sim, o fato Dick Tracy dos cartazes eventualmente vai capitalizar muito nas urnas. Não estivesse o PSD o pântano que está, o Sr. já podia fazer pontaria às estrelas.

O Nuno Melo devia cortar esse cabelo. Você tem ar de betinho. Nem os clientes do BPP vão votar em si. Você tem cara de anjinho vestido de neo-con. Já ninguém gosta dos neo-cons. E em termos de anjinhos, o Rangel também tem umas bochechas de invejar. Devia sorrir mais. Nunca o vi sorrir, Nuno Melo. Esta sempre com ar extra-preocupado! extra-stressado! extra-indignado! Não franza tanto as (já farfalhudas) sobrancelhas sff. A nação já tem rugas de preocupação que cheguem.


O Miguel Portas, é.. às vezes confundido com "O Portas". Não, não. Este é o "o Outro". Não, Miguel Portas. Você não é o "Outro Portas", você é o "Miguel Portas". Você é alto, tem uma careca que lhe fica bem, é luzidia. Como um farol. Mas fica-lhe bem. E você ostenta-a com porte. Mas devia beber mais café. O seu ar sonolento embala quem o ouve, logo deixa de o ouvir. O Bloco de Esquerda deveria considerar substituir a sigla BE por Bloco. Porque, sejamos francos, ouvir um senhor idoso barrigudo de peito ao léu a dizer que vai votar no BES não cai bem nem ao BE nem ao BES (que prefere o Ronaldo a dizer coisas destas).

A Ilda Figueiredo tem carisma. Troca os b's com v's às vezes. Mas vejo nisso uma mais valia. Uma portugalidade, um sinal à la Cindy Crawford. A 200 mil km de distância diria logo "Aí está, essa senhora deve ser a da CDU". E é. Não foge à cartilha. Mas o PCP nunca foge à cartilha. A Ilda Figueiredo também não. Se eu a desafiasse a usar StudioLine, meias de rede e saltos agulha e se ela o fizesse eu não ia gostar. Teria medo. Daí a nada estaria a dar com a foice na pedra e com o martelo no trigo. Por isso é que está bem como está Ilda Figueiredo.


Há mais candidatos.. mas não me apetece escrever mais.
ou
Há mais candidatos.. mas estes "deslumbram" mais.


serviço público: http://www.euprofiler.eu/