quinta-feira, 29 de abril de 2010

quarta-feira, 28 de abril de 2010

segunda-feira, 19 de abril de 2010

alhos com bugalhos

  1. 1. É preciso um PLANO!
  1. 2. É preciso um ESQUEMA do plano!!
  1. 3. É preciso uma EXECUÇÃO PRÁTICA do plano!!!!
  1. 4. É preciso FOCUS, CONSISTÊNCIA e PERSEVERANÇA
  1. 5. É preciso MEIOS
  1. 6. É preciso VONTADE

Enquanto tu dizias isso eu cantava uma ária...

Cisne-Satélite



Ergue-te de novo Cisne-Satélite. Criatura feroz e alada, ser além espaço, arranha-céus animal. Eu espero, e enquanto o teu voo intergaláctico se prolonga, o amanhecer de uma nova era tardará. Cisne-Satélite todo-poderoso feito luz de néon e potência elevada ao infinito. Espero de ti um sinal. Olho incessantemente o sol que nunca mais foi feito sombra de ti, pássaro de tempestade. A cidade queda-se em ruínas e deserto de pó de estrelas enquanto tu, luz animal dos céus, não desceres da tua órbita estelar e te lembrares dos Homens. E eu, último reduto da sua memória primordial aguardo um iminente presságio, um tremor temente que prenuncia a salvação. As tuas asas abrigam os habitantes de Nós. Eles veneram-te ao pôr-do-sol, que arde e incendeia o que resta da civilização. Mas não és tu, Cisne-Satélite, que arranhas o céu de noite e deixas cicatrizes no imaginário dos Homens, o Deus a que rezam eles, quando se prostram a um ser desconhecido? Não és tu, besta de luz de néon, que trazes contigo o germe do progresso? E por isso esculpi as tuas asas no betão antigo de uma civilização de outrora. És o fio e o novelo da história dos Homens, o tempo e a imanência. Foste relegado para as primeiras páginas da história, altura em  que os Homens viviam em concórdia, e agora invoco o teu nome por amor a eles, que deixarão em breve de saber quem são e quem foram.

domingo, 18 de abril de 2010

Anabase

Montesquieu de cabelos verdes e capa preta, em mistério, saiu do hospital para o jardim onde nada era como é. Viu uma paisagem de Turner. Sabia ele, que o pintor codificara nela, ondas de rádio tão precisas que diziam a Montesquieu onde e quando aquele barco esborratado se encontrava. Está agora em Anabase, em Messier 16. Montesquieu soube-o logo e ficou pensativo.
Aproximou-se das escadas em caracol para pensar melhor, que era um efeito dos edifícios sobre ele. A arquitectura destes influenciava a psique. Estruturas regulares propiciavam pensamentos racionais. Arcadas, faziam-no sonhar e imaginar coisas improváveis. Túneis, propiciavam a estados mais reclusos e Montesquieu era muito sensível ao caracol da escada da enfermaria que não era mais que um eterno retorno ao passado, a uma estadia a viver ali. Logo lhe veio Anabase ou o Pilar dos Tempos. O tempo do universo em Anabase não contava segundos, era a estação de serviço dos anjos. Eram ali, os Pilares da Criação, no próprio hospital, mesmo acima da segunda janela a contar da direita: A.N.A.B.A.S.E.
um Arcanjo Nasceu na Arcada, Berço das Alturas Sem Ele -- deus.
E teve uma visão, sempre que as tinha, seus olhos rebentavam por entre órbitas de sol intumescido pelo calor do corpo. Fugia dele próprio como fugira anos antes, da cruz que suportara por ter que viver com a sua alma de ímpio. Era sujo de ideais. Falava como um messias, portador da mensagem dos Anjos-de-Cabelo-Verde. Ele já vira um, disse-lhe que lhe apetecera fugir dali. Para onde? Para Anabase. Outra vez Anabase! Farto de ouvir o anjo, decidiu apaixonar-se por ele, há amor que acontece nos tempos de loucura, é amor que a razão impede que nasça. A roda dos dias que passam é eterna, não pára. Fecha-se um ciclo. Marés de estrelas morrem no universo para nunca mais voltarem, ouve-se um sussurro de paz ou silêncio. Nebulosas revelam-se assustadoras e trazem consigo uma calma assombrosa, mas eficaz. Disse-lhe que sim, que queria esse constrangimento, essa penumbra. Nada faz sentido e o sentido não faz nada no tempo de Anabase. Mas só a loucura faz do amor coisa racional, uma equação de corações inflamados. Mesmo que um desses corações se esteja abastecer de orações em Messier 16, na segunda janela a contar da direita: um Arcanjo nasceu nessa arcada, berço das alturas, sem a ajuda de deus. E viu o céu pela primeira vez, como devia ser visto. Montesquieu de cabelos verdes e capa preta puxou de um cigarro, e fumou-o lentamente, enquanto meditava junto à escada em caracol. Subiu-a até às estrelas, porque já era de noite, entretanto. E ficou a olhar o céu.


quarta-feira, 7 de abril de 2010

que...

Entronizando, ó Rosa, a culpa do teu destino, que proveito tirarias?
Que deus te perdoaria se de noite as tuas rezas versassem a loucura breve de um sonho de juventude?
Que templo de solidão te acolheria no vendaval do teu ser se tu e só tu, Rosa, reduto das lágrimas da noite te ajoelhasses face à tempestade?
Que movimento terno te suplicaria que parasses, se tu, flor de nome, te mascarasses para não sentir?
Mas as pétalas caem, Rosa, e a culpa do teu destino é mera ilusão, tal como esse sonho de juventude a que tu chamavas viver.