segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

sábado, 10 de dezembro de 2011

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

as coisas pelos não-nomes (fulgor)

Após a experiência amor-morte, que sucede? Sucede que a alma é raptada pelo, até agora misterioso e desconhecido (segundo a ordem natural das coisas), grandioso e imanente Gangue da Tríade Dimensional. Ora, este trio, sumariamente, não passa da nossa antiquíssima e venerada Trindade, presente em tudo o que é religião e que atravessou os tempos do Homem. A manifestação do Gangue da Tríade difere, no entanto, da outra, visto estas criaturas obedecerem a outras directivas mais obscuras que emanam de forças que até agora nos foram vedadas. Vestem-se de negro profundo, num hábito de monge com uma corda áspera de fogo que lhes cinge a cintura.
Pouco dado a actividades sérias ou honestas, orientadas para o bem ou pelo bem, este trio actua sub-repticiamente no submundo sombrio e tenebroso do universo. Conhecidos também como os Marginais da Matéria Negra, os Três Temidos Bandidos ou como o Terror das Estrelas, estes senhores imponentes, cujas almas ninguém lhes conhece, alimentam-se do princípio amor-morte presente no coração da Humanidade, ou melhor, do precipício da vontade e o potencial  que dessa volição emana. Possuem a arte de saber usufruir do poder pleno que esse estado confere, e esse é o recurso maior a que alguma criatura do universo jamais teve acesso.  Eles deram-lhe o nome de Fulgor.

sábado, 19 de novembro de 2011

correr ou fugir

Correr ou fugir (I)

Dois homens correm pela floresta.
Dos homens que correm,
um deles sente o vento
e o outro sente que este o atrasa.
Dos homens que correm,
um deles ainda tem tempo.
E um deles grita para o outro antes de o ultrapassar:
— Corre enquanto fores livre.
Após isto ouviu-se um tiro e um deles caiu.
O outro deixou de fugir,
continuou a correr.

Correr ou fugir (II)

Correm cavalos selvagens, correm – nunca fogem.
Um cavalo domado foge sempre.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

the other god

wars of victory and loss fuel the earth.
although Vulcan remains in silence
Mars, the other god, gently combs his mane of fire.
an army of roaring men
is waiting for the last call
coming forth from the skies.
and, at the first thunder howl,
the men march on to the battlefield.
and although the earth was bound in flames,
Mars, the god of war, wields his iron spear
inciting them with words of might
but refusing to participate
in the slaughter of those not of his kin.

domingo, 6 de novembro de 2011

desortografia propositada

Mandaste-me uma carta,
fiquei a olhar para o envelope,
era tua.
n„o te esqueceste.
se ao menos soubesse,
que antes de tudo se desmoronar sobre mim
que te lembrarias de mim.
Assim esqueci-te por pensar
que era "outrora" - esse tempo triste indefinido,
que tudo poderia ser esquecido.
Tu, eu, um relÛgio avariado e um anel esquecido
encontrado no lixo de algÈm.
era o que restava. Restos de Amor.
Esse relÛgio. Tinhas ficado t„o contente
com esse teu relÛgio. Lembro-me.
Dei-te o teu primeiro guarda-chuva,
sempre te quis proteger e guardar de tudo,
e isso foi o meu erro,
Mas tenho horror ao Mal que o Mundo te possa fazer.
SÛ eu sei quando Ès tu que escreves o meu nome,
Daquelas coisas que sÛ se sabe
quando se diz a alguÈm: "amo-te"
a que se acrescenta um "para sempre"
sem que o coraÁ„o vacile.
AgradeÁo-te, nunca soube por quÍ ao certo.
Tu tambÈm n„o.
Nunca percebeste a minha gratid„o,
e o qu„o redentora ela era.
Nunca me disseste adeus,
e oh, outra vez, esse teu inaudÌvel "adeus".
Nunca me deste escolha,
essa da espera inconstante que n„o obedece a regras
e a que os outros chamam viver.
Como o devoto morre ‡ espera de um milagre,
tenho-te fÈ, e espero-te a ti.
Mas promete-me que um dia me dir·s "adeus"
no ˙ltimo acto, que acabar· sempre nas tuas m„os,
‡ espera do meu nome na tua letra e na tua m„o.

domingo, 23 de outubro de 2011

new scientist: the capitalist network that runs the world

 Crucially, by identifying the architecture of global economic power, the analysis could help make it more stable. By finding the vulnerable aspects of the system, economists can suggest measures to prevent future collapses spreading through the entire economy. Glattfelder says we may need global anti-trust rules, which now exist only at national level, to limit over-connection among TNCs*. Bar-Yam says the analysis suggests one possible solution: firms should be taxed for excess interconnectivity to discourage this risk. (...)


If connectedness clusters, so does wealth, says Dan Braha of NECSI: in similar models, money flows towards the most highly connected members. The Zurich study, says Sugihara, "is strong evidence that simple rules governing TNCs give rise spontaneously to highly connected groups". Or as Braha puts it: "The Occupy Wall Street claim that 1 per cent of people have most of the wealth reflects a logical phase of the self-organising economy."



*Transnational Corporations


full article --->   Revealed – the capitalist network that runs the world 

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

aparências solares

perecer do sol
padecer e perecer
ou fugir ao padecer
fugir ao pôr-do-sol
e padecer ou fingir
parecer fugir ao
fugir do sol
parecer perecer ao fugir do pôr-do-sol
ou perecer ao fugir do aparecer do pôr-do-sol
aparecer ao sol
fugir ou aparecer
fugir ao aparecer
aparecer e fingir
perecer ao aparecer do sol.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Louco Penteado

A realidade é divertida às vezes. A vida ri-se de coisas também. Não é boa, nem má. É simplesmente tola.

Os Cabeleireiros dão profundidade àquilo que deve permanecer na superfície das coisas. Por chamarem esfera à bola, não podem brincar com ela. Pensam esfericamente, em formas perfeitas e não se contentam com menos que a perfeição. Como dizer, por exemplo, que O Dedo do Pé nunca pode ser abreviado à enésima casa decimal e daí ser-lhe conferido aquele símbolo particular. Eles pensam em forma de perguntas cujos pontos de interrogação são traçados a régua, esquadro e laca. Com uma acutilante meta-tesoura, correm sôfregos atrás das perguntas que fazem, mas desprezam as respostas que encontram pelo caminho.

Os Cabeleireiros fazem muitas perguntas e, inevitavelmente perguntarão se não serão todos loucos. Se chegam à conclusão que não são, não sentem alívio nem descanso, antes atormentam-se com a sua consciência até encontrarem uma falha no Penteado. Se o são, não deveriam ter disso a consciência, excepto se de uma loucura temporária sofressem, que os permitisse olhar de fora para dentro. Como o mundo olha, atónito, para o Dedo do Pé.

Ou, quem sabe, como o Dedo do Pé olha atónito para o mundo? Talvez a consciência esteja no Dedo do Pé, talvez o Penteado mais louco seja aquele que não se desmanche, aquele que resista à noite e que nos diz que somos tão iguais na manhã seguinte -- mas não tão diferentes que nos olhem com reprovação quando saímos para a rua. Que não é fácil habitar ao lado da consciência. É aterrador, e quem explora os seus meandros acaba sempre saltando da janela estatelando-se no chão.

E se as pessoas não morrem, ficam a chorar no asfalto. Aí, os transeuntes que chamam bola à esfera chamam a ambulância e nem percebem que o que o Cabeleireiro está a tentar dizer é que o deixem morrer. A consciência lá de cima olha para isto e não percebe nada, olha e murmura palavras em surdina para uma repórter de imagem. Alguns Cabeleireiros atribuíram a isto uma carga simbólica de sabedoria. E assim, o louco Penteado passou a moda.

segunda-feira, 11 de abril de 2011