sábado, 19 de novembro de 2011

correr ou fugir

Correr ou fugir (I)

Dois homens correm pela floresta.
Dos homens que correm,
um deles sente o vento
e o outro sente que este o atrasa.
Dos homens que correm,
um deles ainda tem tempo.
E um deles grita para o outro antes de o ultrapassar:
— Corre enquanto fores livre.
Após isto ouviu-se um tiro e um deles caiu.
O outro deixou de fugir,
continuou a correr.

Correr ou fugir (II)

Correm cavalos selvagens, correm – nunca fogem.
Um cavalo domado foge sempre.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

the other god

wars of victory and loss fuel the earth.
although Vulcan remains in silence
Mars, the other god, gently combs his mane of fire.
an army of roaring men
is waiting for the last call
coming forth from the skies.
and, at the first thunder howl,
the men march on to the battlefield.
and although the earth was bound in flames,
Mars, the god of war, wields his iron spear
inciting them with words of might
but refusing to participate
in the slaughter of those not of his kin.

domingo, 6 de novembro de 2011

desortografia propositada

Mandaste-me uma carta,
fiquei a olhar para o envelope,
era tua.
n„o te esqueceste.
se ao menos soubesse,
que antes de tudo se desmoronar sobre mim
que te lembrarias de mim.
Assim esqueci-te por pensar
que era "outrora" - esse tempo triste indefinido,
que tudo poderia ser esquecido.
Tu, eu, um relÛgio avariado e um anel esquecido
encontrado no lixo de algÈm.
era o que restava. Restos de Amor.
Esse relÛgio. Tinhas ficado t„o contente
com esse teu relÛgio. Lembro-me.
Dei-te o teu primeiro guarda-chuva,
sempre te quis proteger e guardar de tudo,
e isso foi o meu erro,
Mas tenho horror ao Mal que o Mundo te possa fazer.
SÛ eu sei quando Ès tu que escreves o meu nome,
Daquelas coisas que sÛ se sabe
quando se diz a alguÈm: "amo-te"
a que se acrescenta um "para sempre"
sem que o coraÁ„o vacile.
AgradeÁo-te, nunca soube por quÍ ao certo.
Tu tambÈm n„o.
Nunca percebeste a minha gratid„o,
e o qu„o redentora ela era.
Nunca me disseste adeus,
e oh, outra vez, esse teu inaudÌvel "adeus".
Nunca me deste escolha,
essa da espera inconstante que n„o obedece a regras
e a que os outros chamam viver.
Como o devoto morre ‡ espera de um milagre,
tenho-te fÈ, e espero-te a ti.
Mas promete-me que um dia me dir·s "adeus"
no ˙ltimo acto, que acabar· sempre nas tuas m„os,
‡ espera do meu nome na tua letra e na tua m„o.